domingo, 3 de fevereiro de 2019

Saída para o Brasil: reestatizar todas as empresas privatizadas, todas elas

Dissimulação e cinismo: presidente da Vale, Fábio Schvartsman: 
"desta vez perdas humanas serão maiores"

A lógica das privatizações é, nesse e em outros sentidos, corrupta, e são corruptos os que a defendem como instrumento de capitalização e de desenvolvimento do país. Por que corrupta? Porque corrompe e subverte o interesse nacional submetendo-o à racionalidade de empresas (ou consórcios) que têm como projeto a si próprios e não o país. Em nome disso, formam-se teias de influências corruptoras por todo o poder público - no Legislativo, no Judiciário, no Executivo - com o objetivo de garantir concessões em áreas vitais para o interesse nacional, que é estratégico, republicano, social e determinado para além do interesse do capital. Não há um único exemplo na história econômica mundial de políticas privatistas que tenham dado certo... como se pode ver nos exemplos dos países que vivem à mercê da crise de média duração em que o capitalismo global jogou o mundo desde 2008, talvez antes disso.

Estamos diante, no entanto, de um processo mais do que econômico porque para que ele siga seu curso corruptor é necessário que se crie à sua volta um conceito ideológico de valor - através do qual os atributos do que é privado são mais virtuosos daquilo que é público: eficiência, geração de riqueza, extensão social das consequências disso - valores todos eles transformados em construções simbólicas discursivas (em especial nas narrativas da mídia) que carregam o sentido de tudo quanto  se diz a respeito da economia e à representação do senso comum. A rigor, são mentiras disseminadas como simulacro da verdade, O superministro Paulo Guedes, um canalha privatista, é exemplo disso.

Pessoalmente, não acredito que o Brasil tenha qualquer possibilidade de sair da profunda crise em que se encontra metido - uma crise que eu chamo de disruptiva e tóxica que já evidenciou colocar em risco os próprios fundamentos da nossa sociedade. Essa crise é o resultado da forma corrupta como os interesses privados se tornaram hegemônicos em todas as dimensões da vida brasileira, esgarçando qualquer perspectiva de solidificação identitária. É só olhar em volta: os interesses privados transformaram os brasileiros num bando sonâmbulo que não sabe para onde vai e nem tem condições de entender por que vive assim. Estou convencido de que é isso o que explica a desfaçatez da Vale e as razões da tragédia de Brumadinho.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O Brasil dos outros: destruição e morte em Brumadinho

Cenário surreal de um país entregue aos interesses privados e dominado pelo cinismo conservador e anti-social

Os fatos:

A razão dos fatos:

O Brasil longe de Davos

Crime e castigo:

Memória:
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O Brasil dos outros: destruição e morte em Brumadinho

Cenário surreal de um país entregue aos interesses privados e dominado pelo cinismo conservador e anti-social

Os fatos:

A razão dos fatos:

O Brasil longe de Davos

Crime e castigo:

Memória:
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domingo, 20 de janeiro de 2019

A chantagem da General Motors

Politize
Como assim, mente? Mente porque esconde da opinião pública a verdadeira orgia de lucros em que as montadoras estrangeiras sempre viveram no Brasil, mas em especial depois das facilidades fiscais criadas no governo FHC. A própria General Motors, nos anos 90, só conseguiu sair da crise profunda em que viveu na época e que quase a levou à falência nos EUA graças à fartura das remessas de lucros de sua filial brasileira, um cenário irônico e típico da realidade do capitalismo global: a sangria financeira que os países da periferia sofrem nas mãos de suas matrizes, as "perdas internacionais" às quais Leonel Brizola se referia nas eleições de 1989.

A esses respeito, o noticiário que permite resgatar a verdade sobre essa história é farto. Em 2014, por exemplo, para ficarmos numa data situada quando o processo de espoliação do mercado interno brasileiro já estava consolidado, as montadoras foram campeãs de envio de lucros ao exterior, de acordo com a Folha, o que repetia o êxito nas remessas passadas. No ano anterior, a General Motors, segundo a Forbes, havia dobrado seu lucro no mundo inteiro (leia aqui), especialmente em função dos ganhos obtidos em economias dependentes. No caso brasileiro, esse duto de transferência de riqueza totalizou no quinquênio 2009-2014 a estratosférica soma de US$ 33 bilhões, levadas em conta todas as empresas estrangeira instaladas no país. Não é preciso destacar o permanente - e profundo - processo de descapitalização sofrido pela economia brasileira em decorrência dessa dinâmica e, por consequência, as difuculdades de superação dos entraves ao nosso desenvolvimento.

O tamanho da mentira da GM só é maior quando os números falam diretamente sobre os últimos três anos do setor automotivo como um todo e da performance da própria General Motors. No 1o. caso, ainda que registrando recuo, as remessas totalizaram US$ 11 bilhões em 2016, situação que seria superada em 2017, quando o envio dos ganhos remetidos às matrizes triplicaram, segundo o Estadão.

Como se vê, o enunciado neoliberal segundo o qual o fim das amarras do Estado à livre circulação do capital é o instrumento de promoção da riqueza nos países que se abrem para os investimentos externos não passa de um sofisma: a rigor, o que ocorre é justamente o oposto, isto é, a sustentação das economias centrais a partir do fluxo da riqueza gerada justamente nas áreas que mais carecem de recursos. A máxima soa panfletária, mas é real: a riqueza no centro aumenta na mesma razão do crescimento da pobreza na periferia, É o preço que o Brasil paga pela escolha que suas elites fizeram para ficar no poder à revelia dos interesses e sociais e ficar exposto à chantagem que a GM pratica agora com as ameaças anunciadas na Folha.
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