quinta-feira, 11 de julho de 2019

Democracia em vertigem: a história do golpe contra o Brasil

Penso que é no governo de Dilma que essa contradição explode em toda a sua grandeza: a presidente parece perceber (ainda que intuitivamente) que não superaria os desarranjos que a crise econômica internacional havia provocado no ritmo de crescimento da Era Lula, nem os impasses de natureza política gerados por seus próprios traços pessoais se não rompesse com as forças conservadoras que tiravam proveito da conciliação de classes e ampliavam a maximização de seus lucros selvagens. Quando tenta contornar o isolamento parlamentar e político a que chegara, já era tarde. Nem mesmo a frágil vitória eleitoral em 2014 foi suficiente para mantê-la no poder. Voltando atabalhoadamente para trás, perdeu apoio de forma inapelável.

O espaço ocupado pela direita entre a campanha pelo impeachment e a eleição de Bolsonaro parece que é resultado de um vazio de representação política deixado pela desideologização do PT em nome de seu mergulho nos esquemas clássicos de articulação patrimonialista do Estado brasileiro, sempre sob a hegemonia das classes dominantes, frente à partidarização desse sentimento de "orfandade" que o insucesso reformista despertou - sob o apelo do ultraconservadorismo e da purificação das práticas políticas brasileiras. 

Não tenho dúvidas de que o golpe de média duração a que estamos assistindo ainda está em curso, mas o trunfo (temporário?) nas mãos da direita reside no fato de a esquerda ainda não ter conseguido recompor o projeto que quer para o Brasil. Não há exemplo na história contemporânea de que uma crise de hegemonia, como a que estamos vivendo, não tenha desembocado nas mãos das forças que têm a iniciativa da direção da mudança e punido os que não se arriscaram a isso.

Acredito que as campanhas de rua, as denúncias, a luta fundamental pela liberdade de Lula, a pressão intermitente contra a mídia golpista das oligarquias, os movimentos sociais alicerçados nas redes e as plataformas de dignificação dos direitos de todas as variações culturais, tudo isso deve continuar... mas a esquerda precisa agora de um projeto que acene em profundidade para as mudanças estruturais da sociedade brasileira... e não abrir mão disso.

Sugestões de leitura sobre o filme Democracia em Vertigem

Uma câmera no epicentro de um terremoto * Vi algo doente na sociedade, diz diretora de filme sobre impeachment (Jamil Chade, Uol) * Autora de Democracia em vertigem diz que silêncio forçado de Lula em seu filme é "ensurdecedor" (Fórum) * Dias de ira em Eldorado (Mario Sergio Conti, Folha) * Democracia em vertigem: o Brasil alicerçado em um passado mal-resolvido (El País) * Democracia em vertigem é um registro fundamental de nossa derrocada (Aquiles Lins, 247)* Democracia Corrompida (Eduardo Escorel, Piaui) * Documentário sobre o golpe asfalta caminho para o Oscar (Opera Mundi)

Atualizações: * Democracia em vertigem é filme da Disney com Bsb no lugar das animações (Folha) * Cada pedaço de Democracia em vertigem é um soco no estômago e estremece o espectador (Folha) * Petra Costa: "Se eu soubesse do vazamento, não teria parado" (Carta Capital) * A vertigem democrática (Juliano Medeiros, Boitempo)
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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Saída para o Brasil: reestatizar todas as empresas privatizadas, todas elas

Dissimulação e cinismo: presidente da Vale, Fábio Schvartsman: 
"desta vez perdas humanas serão maiores"

A lógica das privatizações é, nesse e em outros sentidos, corrupta, e são corruptos os que a defendem como instrumento de capitalização e de desenvolvimento do país. Por que corrupta? Porque corrompe e subverte o interesse nacional submetendo-o à racionalidade de empresas (ou consórcios) que têm como projeto a si próprios e não o país. Em nome disso, formam-se teias de influências corruptoras por todo o poder público - no Legislativo, no Judiciário, no Executivo - com o objetivo de garantir concessões em áreas vitais para o interesse nacional, que é estratégico, republicano, social e determinado para além do interesse do capital. Não há um único exemplo na história econômica mundial de políticas privatistas que tenham dado certo... como se pode ver nos exemplos dos países que vivem à mercê da crise de média duração em que o capitalismo global jogou o mundo desde 2008, talvez antes disso.

Estamos diante, no entanto, de um processo mais do que econômico porque para que ele siga seu curso corruptor é necessário que se crie à sua volta um conceito ideológico de valor - através do qual os atributos do que é privado são mais virtuosos daquilo que é público: eficiência, geração de riqueza, extensão social das consequências disso - valores todos eles transformados em construções simbólicas discursivas (em especial nas narrativas da mídia) que carregam o sentido de tudo quanto  se diz a respeito da economia e à representação do senso comum. A rigor, são mentiras disseminadas como simulacro da verdade, O superministro Paulo Guedes, um canalha privatista, é exemplo disso.

Pessoalmente, não acredito que o Brasil tenha qualquer possibilidade de sair da profunda crise em que se encontra metido - uma crise que eu chamo de disruptiva e tóxica que já evidenciou colocar em risco os próprios fundamentos da nossa sociedade. Essa crise é o resultado da forma corrupta como os interesses privados se tornaram hegemônicos em todas as dimensões da vida brasileira, esgarçando qualquer perspectiva de solidificação identitária. É só olhar em volta: os interesses privados transformaram os brasileiros num bando sonâmbulo que não sabe para onde vai e nem tem condições de entender por que vive assim. Estou convencido de que é isso o que explica a desfaçatez da Vale e as razões da tragédia de Brumadinho.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O Brasil dos outros: destruição e morte em Brumadinho

Cenário surreal de um país entregue aos interesses privados e dominado pelo cinismo conservador e anti-social

Os fatos:

A razão dos fatos:

O Brasil longe de Davos

Crime e castigo:

Memória:
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O Brasil dos outros: destruição e morte em Brumadinho

Cenário surreal de um país entregue aos interesses privados e dominado pelo cinismo conservador e anti-social

Os fatos:

A razão dos fatos:

O Brasil longe de Davos

Crime e castigo:

Memória:
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