domingo, 17 de junho de 2018

Sem eira nem beira: 62% dos jovens querem deixar o Brasil

Do filme Sans Toit ni Loi,
Agnès Varda
Os exemplos são muitos e seria redundante repetí-los todos aqui. Os mais graves dizem que o cenário decorrente da ruptura constitucional de 2016 é hoje o de um Brasil irreconhecível: ostentamos a maior taxa de desemprego do mundo (13,1%, 13 milhões de trabalhadores), o maior contigente histórico de indivíduos que vivem abaixo da linha da pobreza (52 milhões), o menor crescimento do PIB já registrado por um país emergente (2,7%), um nível extraordinário de desnacionalização da economia representando não só pela entrega da exploração do pré-sal mas também pela formação de oligopólios privados em mãos de capital estrangeiro

Engana-se, no entanto, quem supõe tratar-se de situações passíveis de reversão a partir de ajustes na política econômica - como seria eventualmente possível através de correções nas reformas implementadas pelos golpistas. De forma bastante aguda, intensificou-se no país, nos últimos 2 anos,  uma violenta desmontagem das instituições estratégicas que poderiam permitir, a médio prazo, uma mudança nesse rumo: o da Educação e o da Pesquisa Científica e Tecnológica, ambos atendidos pela escassez de recursos públicos provocada pela estúpida austeridade fiscal e por um processo selvagem de privatização.

O ceticismo dos jovens mostrado nos resultados da pesquisa do Datafolha é uma marca de descrédito que pode estar se traduzindo em niilismo político, de onde uma adesão a projetos totalitários e ainda mais alienantes de práticas de representação. Pessoalmente, não acredito que as eleições deste ano possam mudar esse quadro, com a única exceção, segundo entendo: sua definição por uma candidatura que seja consagrada nas urnas por um coerente programa socialista para o Brasil.

Sugestões de leitura: * Mais pobres podem, levar até 9 gerações para atingir renda média no Brasil (El País) * Uma sociedade que naturaliza pessoas vivendo nas ruas é hipócrita e autodestruidora (El País) * O preço da reforma trabalhista - OIT (Folha) * Distribuidoras da Eletrobrás são privatizadas em julho (GGN) * Atlas da violência 2018: No Brasil, 2 países: para negros, assassinatos crescem 23%; para brancos, caem 6,8% (El País) * Em nome da segurança pública, Temer decreta morte do Ministério da Cultura (Sakamoto, Uol)
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