quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

“Quero avisar a elite que espere, porque nós vamos voltar”

A matéria que mais exibe o constrangimento dos supostos vencedores não é sobre o que foi provocado pela sabujice do desembargador Leandro Paulsen, o 2o. a se manifestar na condição de revisor do relator Gebran, que inverteu sua própria função (leia em Como as chances de Lula foram vencidas pelo revisor do seu caso, GGN), mas a análise do El País: a inconsistência das provas contra Lula é o oposto da abundância de evidências contra os beneficiários do impeachmnent, em especial o bandido que governa o país e a verdadeira facção criminosa que organizou como seu ministério. Como explicar à opinião pública (para não dizer eleitores) que Temer com um virtual 0% de popularidade - e tendo se caracterizado como um mal-feitor - esteja solto e que Lula, na confortável posição de líder de massas número 1 do país com o lastro das realizações de sua gestão tenha sido condenado?

Minha impressão é a de que isso não vai dar certo. O professor Aldo Fornazieri, por exemplo, numa bela análise publicada com destaque no Estadão de hoje (imaginem só) acredita que a condenação de Lula cria no país uma situação explosiva que se traduzirá num crescimento de seu apoio popular e numa ainda maior rejeição às candidaturas conservadoras. "A prisão de Lula incendiaria o país", disse Marco Aurélio Mello, ministro do STF. Se Lula não for preso, cresce o mito e a eventual consolidação de sua candidatura à presidência (Sakamoto); para Fábio Wanderley Reis, cientista político da UFMG, a condenação de Lula pode "aumentar o tumulto e a polarização do clima político"(leia aqui).

O nome disso é luta de classes. Depois do golpe contra Dilma, a burguesia brasileira intensificou até o limite do insuportável a expropriação da riqueza gerada pelo trabalho e transformou o Estado e o governo em aparelhos privados do seu poder. No mundo contemporâneo a experiência capitalista que vem sendo posta em prática do Brasil é das mais selvagens da história e não afasta a possibilidade de que se crie aqui uma ruptura institucional dramática, como já aconteceu em outras épocas e em outros países. 

O agravamento das disparidades sociais gerado pela política econômica de Temer e a asfixia criada pela crise de representação política não encontram, nas facções à direita, nenhum porta-voz. Ninguém leva a sério Doria, Huck, Alckmin... qual é o nome do príncipe que esses caras têm nas mãos? Com Lula parece dar-se o oposto: ele vai se tornando um condottieri de massas e acena para a revolução social - embora falte estofo ideológico nessa sua imagem. Mas até agora, o PT e ele próprio parecem ter sido os únicos a se darem conta disso. Como conclusão desta despretensiosa análise, vale a pena ler este texto do El país sobre o discurso que pode representar essa reviravolta: "Quero avisar a elite que espere, porque nós vamos voltar".

Leia também a nota do PT sobre a declamação feita ontem pelos meninos do TRF-4, em Porto Alegre: * Não nos rendemos diante da injustiça. Lula é candidato. E ainda: * O julgamento de Lula pelo mundo (GGN) * Rigoroso com Lula, Gebran reduz pena de empresários (Valor).
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