terça-feira, 10 de agosto de 2010

Comentário de Patrícia Polacow

Patrícia Polacow
Eu acho que são coisas distintas, se é que eu entendi bem. Uma coisa é o jornalismo diário e seus segundos cadernos, outra é o jornalismo das publicações "menores" (não diárias, como as revistas e os demais jornais), outra é a internet. 

Ainda há leitores de jornais impressos e ainda há oferta material mais analítico ou crítico, em alguns impressos separada da p arte do "entretenimento" (programação, sinopses, jabá, fofoca, biografia dos artistas etc...), em cadernos criados para este fim. Isso na grande imprensa, grandes jornais diários. Nos pequenos e nos jornais do interior, pelo menos naqueles que conheço, a oferta é bem menor e feita quando possível, no espaço geral da cultura (como o segundo caderno).

Não tenho acompanhado muito, mas analisando assim, superficialmente, os espaços analíticos dos grandes jornais podem ser agregadores, ao menos momentaneamente, como acontece nas efemérides, catástrofes, movimentações sociais etc., quando grupos se voltam para temas, pensamentos, autores etc.. Não identifico na atualidade nenhum caderno criado para ser agregador, porque nem é interessante para a empresa, mercadologicamente falando... Mas, como não tenho acompanhado com assiduidade nenhum jornal, posso desconhecer algo que esteja acontecendo por aí.

No espaço digital é mais fácil agregar um grupo que tem interesses em comum, o que se percebe facilmente fazendo uma busca por qualquer tema. Encontra-se rapidamente o caminho para todo o tipo de informação, análise e crítica, nos mais variados graus de profundidade, seriedade e qualidade!

Não sei se a explosão de informação levou a uma implosão de significados e da formulação do pensamento crítico. Os cadernos críticos impressos que já existiram nem duraram tanto tempo assim... parece... ou não duraram muito tempo com as mesmas características, não é? Acabaram mudando enquanto mudava a própria conjuntura, como foi com o Fim de Semana, da Gazeta, ou o Folhetim, da Folha...

Esse jornalismo cultural a que você se refere é coisa para um grupo muito pequeno. Agrega mais quando o momento demanda. Depois, o pensamento se transforma, se dispersa. Os espaços críticos que não são demandados não se pagam, não nascem ou, se nascem, não duram muito. Se já houve um momento ma is agregador para o jornalismo cultural, foi porque houve demanda. Não sei quanta influência o digital tem sobre esta relação.
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