quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Marina Magalhães: no Jornalismo Cultural, pulverização da informação pode dispersar o público

Assim como a democratização da comunicação como um todo, onde os antigos “receptores” do processo comunicativo passaram a ter voz e vez – sem desconsiderar a presença e a influência das forças políticas e das grandes corporações – o ciberespaço também propiciou a publicação, em tempo real e sem limites de caracteres, das notícias ligadas ao Jornalismo Cultural. 

De pouco mais de uma década para cá, a partir da internet, jornalistas, artistas, curiosos e blogueiros tiveram a oportunidade de se apropriar das redes sociais para publicar suas opiniões sobre a cena cultural contemporânea, discutir os rumos do Jornalismo Cultural e fazer importantes resgates históricos relacionados ao tema, navegando no espaço e de tempo, fazendo as notícias circularem entre o maior número de pessoas possível, em qualquer parte do mundo.

Basta observar, inclusive, a reestruturação dos veículos tradicionais, que usam e abusam dos hiperlinks em suas matérias, além dos recursos de imagem e de som, tudo para oferecer a maior quantidade de informações para o internauta. Mas até que ponto essa “explosão de informações” contribui para a construção de uma consciência crítica cultural? A pulverização pode provocar o efeito inverso e dispersar o seu público. A abundância de recursos e informações não necessariamente implica em uma abordagem aprofundada, embasada e instigadora.

Com raras ressalvas, junto com o leque de possibilidades que se abre com o ciberespaço, vem o risco iminente de ser um lugar onde “muito se fala, mas pouco se diz”. Em um espaço e um tempo onde o Twitter reina, qualquer reflexão com mais de 140 caracteres pode parecer prolixa. O próprio formato da mídia internet, que pede textos ágeis e curtos para não cansar o internauta, dividido entre tantas janelas nesse mundo de informações, dificulta a retomada daquele Jornalismo Cultural, que já foi motivador de revoluções políticas, sociais e culturais.

Cabe a nós, profissionais e pesquisadores da Comunicação, pensar em caminhos e estratégias eficazes para fazer desse meio não um caminho superficial e confuso, mas um espaço substancial que abrigue discussões promissoras sobre o Jornalismo Cultural.
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