quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jornalismo: a volta do diploma

Diz a Profa. Ivana Bentes em sua 1a mensagem:

Viúvas de Gutenberg atacam novamente! Propõem no Senado obrigatoriedade diploma Jornalista que caiu em 2009 e não faz falta!

O que  interessa não é obrigatoriedade do  diploma é formação diferencial. Diploma obrigatório acabou em 2009 e formandos da ECO/UFRJ passam bem!

O fim do diploma em 2009 trouxe um grande beneficio: quebrou as universidades ruins que "vendiam diploma obrigatório". 

Na ECO/UFRJ formamos jornalistas, publicitários, editores, profissionais de rádio e TV. Nenhuma dessas áreas precisa de diploma obrigatório!  

A internet explodiu a reserva de mercado para jornalista! Diploma obrigatório só serve para manter sindicatos em crise. 

Contra esses argumentos, responde o Prof. Marcelo, da UERJ:

Querida Ivana, tenho por vc o maior apreço intelectual. Não creio, a despeito do seu discurso de momento, que menospreze a necessidade (e a especificidade) da formação superior em Jornalismo. Até pelo fato de ter aberto as portas da ECO/UFRJ para o maior encontro encontro da história da SBPJor, entidade científica que reúne pesquisadores de altíssimo nível, não só com atuação no campo do Jornalismo mas na grande área de Comunicação.

O que jornalistas diplomados e professores de Jornalismo comemoramos hoje não é a restituição de uma reserva de mercado, que aliás nunca existiu na prática, pois a atividade jornalística sempre foi aberta a profissionais que vêm de outros campos de saber, seja como colaboradores, colunistas, comentaristas ou articulistas. O que anima os colegas é o reconhecimento pelo Senado da institucionalidade do Jornalismo, o que lhe dá estatuto legal e coíbe práticas predatórias que vinham sendo adotadas no mercado, até por grandes empresas de comunicação, como a contratação de estudantes e recém-formados como auxiliares administrativos por salários aviltantes (inclusive os alunos dos principais cursos do país, Rio incluído). No vácuo provocado pela decisão do STF, derrubou-se a exigência do diploma de curso superior e abriu-se a porteira para pessoas desqualificadas pedirem registro profissional, no Ministério do Trabalho. Pedidos em que, em vez de assinatura, continham um autoexplicativo X. É essa desregulamentação que se pleiteava para o exercício do Jornalismo, em nome da defesa da "liberdade de expressão" e do avanço das "mídias livres"?

Claro, o Jornalismo enfrenta hoje diversos desafios que não se esgotam na questão do diploma: faltam desde qualidade de texto e apuração criteriosa até meios de comunicação que ofereçam perspectivas mais plurais, não-unívocas, em seu noticiário. A chamada mídia de referência disputará cada vez mais atenção com as mídias sociais, os blogs. Mas a multiplicidade de vozes na (ainda limitada) esfera pública digital não faz com que a sociedade prescinda da mediação jornalística. Pelo contrário, só a torna mais necessária. E nesse sentido a formação superior (de qualidade) faz uma imensa diferença. Sem saudosismos ou discursos tecnoapologéticos.

Espero que o debate esteja de fato apenas começando. Que formação superior em Jornalismo queremos? Como melhorar os cursos e desenvolver as pesquisas jornalísticas em nível de pós-graduação? Que práticas profissionais devemos fomentar?

A tréplica da Profa. Ivana:

Não existe justificativa para uma "excepcionalidade" para jornalistas! A não ser uma corporação e reserva de mercado hoje totalmente artificial para "diplomados" . Vejo inclusive comunicadores e jornalistas formados em Escolas Livres com tanto ou maior nivel de formação critica e expertise quanto a de muitos cursos universitários ruins. Os vendedores de diplomas "quebraram", pois a "obrigatoriedade" é apenas isso um "comércio" e um "cartório" de um grupo. 

Politicamente a exigencia de diploma é vergonhosamente anti-democrática. Cria "reserva" e "escassez" artificial num momento de democratização dos meios de comunicação e de suas linguagens, é uma exigência "elitista", conservadora e constrangedora. 

O mercado sempre preferiu e prefere quem passa por uma formação universitária. Mesmo com o fim do diploma em 2009 nossos estudantes da ECO/UFRJ continuaram a serem empregados PREFERENCIALMENTE  em relação aos sem diplomas. O que conta não é a "obrigatoriedade" nem para o mercado nem para ninguém é a qualificação.

Na ECO/UFRJ formamos igualmente publicitários, editores, profissionais de rádio e TV. Nenhuma dessas áreas precisa de diploma obrigatório e isso numa foi um problema! 

Uma pena ver uma visão tão limitada e retrógada chegar, graças a lobbys politicos e interesses corporativos dos sindicatos,  ao Senado. Nenhum jovem com menos de 30 anos defende obrigatoriedade de diploma. 

É uma era que já era! Por isso os sindicatos dos jornalistas estão VAZIOS, pois não conseguem dialogar com nada disso. São esses lugares melancólicos  e despotencializados. A vida não pulsa mais nesses ambientes! 

Felizmente a questão do jornalismo-cidadão, dos fazedores de midia, do movimento da midia livre e da comunicação comunitária. da cultura digital não tem volta. São eles o presente e o futuro do jornalismo.

Os jornalistas corporativos são hoje a  "vanguarda da retaguarda"  e ficarão cada vez mais num "gueto". Bom exilio, para os que ficam!
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São as primeiras manifestações sobre o assunto. Sugiro que os interessados acompanhem os desdobramentos que ele certamente terá nos próximos meses...
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