sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Efeito Anhanguera mostra crise da Universidade no Brasil

Universidade: sobrevivência precária...
As constatações de Brito Cruz permitem dois tipos de reflexão. A primeira: qual a capacidade que sistema privado de ensino superior brasileiro teria de sustentar os investimentos que fez nos últimos anos, inclusive com a associação de algumas empresas a grupos estrangeiros, diante de um cenário de estagnação do mercado de estudantes? A resposta não é simples, mas alguns indicativos permitem constatar que a luz amarela já acendeu para diversas dessas instituições.

Não é apenas a criação de novos cursos que deixou de ser feita, mas a expansão física das escolas existentes em direção a outras cidades do Estado de São Paulo e a outras regiões do país praticamente desapareceu, fato que pode significar uma espécie de movimento de capital para dentro do próprio núcleo das empresas já existentes.

Nesse caso, a soberania nacional e os interesses públicos envolvidos na Universidade estariam fortemente comprometidos em razão da força política inerente ao poder econômico dos conglomerados remanescentes da fase crítica (esta que agora estamos vivendo). Guardadas as proporções, o sistema universitário poderia se assemelhar ao sistema bancário - um reduzidíssimo número deles impõe a política financeira praticada pelo Estado.

A outra reflexão remete a questões estruturais. Nos anos 70, quando explicou a natureza do modelo econômico adotado pela ditadura militar, Celso Furtado apontava para uma peculiaridade de suas características: a concentração da renda numa sociedade de elevada densidade populacional, fato que assegurava a existência de um mercado consumidor capaz de dar sustentação ao crescimento com base em estratos minoritários da população. O modelo, dessa forma, reproduzia-se mesmo criando à sua volta um elevado nível de disparidade social.

Também aqui, guardadas as proporções, é possível especular sobre a analogia com um sistema universitário de elevada concentração de capital frente a um mercado consumidor de educação superior que não se expande: sua sobrevivência baseada na liquidação das práticas laboratoriais e pedagógicas e na precarização do trabalho docente voltadas essas condições para uma clientela que deixa o ensino médio apenas preparada para ofícios de natureza operacional e de pouca densidade reflexiva, mais ou menos como já vem ocorrendo...

São ponderações que o quadro descrito por Brito Cruz permitem.
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