quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aumentar a produtividade do trabalho, sem que os trabalhadores de dêem conta disso...

À semelhança de Bill Jones, no cenário da economia global a estratégia brasileira parece desprovida de objetivos definidos e socialmente consistentes
A experiência chinesa combina o máximo de competição - a utilização do mercado como instrumento de desenvolvimento - e o máximo de controle. Entenderam perfeitamente que as políticas liberais recomendadas pelo Consenso de Washington não deveriam ser "copiadas" pelos países emergentes. Também compreenderam que a "proposta" americana para a economia global incluía oportunidades para o seu projeto nacional de desenvolvimento. Assim controlaram as instituições centrais da economia competitiva moderna: o sistema de crédito e a política de comércio exterior, aí incluída a administração da taxa de câmbio. Os bancos públicos foram utilizados para dirigir e facilitar o investimento produtivo e em infraestrutura.

A segunda estratégia apontada por Beluzzo parece ter sido a aceitação, pelos emergentes - mas em especial pela China - da nova configuração espacial da produção capitalista (aquilo que o autor chama de "cadeias de geração de valor"), o fato que ainda nos surpreende tantas vezes lemos nas costas dos eletrônicos que povoam nossa vida a inscrição "made in China". Embora essa aceitação tenha representado a submissão a padrões salariais e condições de trabalho vergonhosamente baixos para extensas camadas da população chinesa, com certeza permitiu o alargamento do país no espectro do comércio internacional.

A terceira estratégia me parece a mais importante: os novos impulsos de inovação tecnológica que emergem depois da crise de 2008 e que visam superar em definitivo as antigas bases do sistema industrial máquino/manufatureiro. Trata-se de uma base técnica cujo objetivo é aumentar a "produtividade social do trabalhio" em escala global, mas a partir do núcleo duro dos centros detentores de soberania sobre aqueles impulsos. Aqui, a estratégia asiática - mais uma vez a China em 1o. lugar -  veio acoplada aos investimentos em Educação e em pesquisa tecno-científica que asseguram projetos de longo prazo e que oferecem consistência aos ritmos de crescimento econômico.

Vistas as coisas deste lado - do lado brasileiro - é inevitável a constatação de que somos apenas um apêndice no acrônimo criado para identificar uma área geográfica emergente, tão grande é a distância que nos separa dessas políticas postas em prática na Ásia. Os efeitos disso, se não forem inseridos na definição de uma perda geracional que compromete todo o futuro - da economia à educação, no mínimo pode significar a advertência feita por Beluzzo ao final do seu texto:

O jogo da grande empresa é jogado no tabuleiro em que a mobilidade do capital impõe conjuntamene a liberação do comércio, o controle da difusão do progresso técnico (leis de patentes etc) e o enfraquecimento da capacidade de negociação dos trabalhadores. Assim, as "novas" formas de concorrrência escondem, sob o diáfano véu da liberdade, o aumento brutal da centralização do capital, a concentração do poder sobre os mercados, a enorme capacidade de ocupar e abandonar territórios e de alterar as condições de vida das populações.
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