domingo, 24 de março de 2013

Um gráfico e mil palavras...

Mensalidades: mesmo com essa fartura de reajustes, as escolas são incapazes de oferecer aos seus professores
padrões salariais e condições dignas de trabalho. Nos cursos superiores, então... nem se fale.
A lógica desse processo precisa mudar. Penso que a primeira providência nesse sentido é a exposição, para todos os segmentos envolvidos nele - e não apenas a comunidade escolar, mas setores inteiros da sociedade civil - da realidade complexa da empresa universitária. Com todas as letras, é preciso que se aponte o seu caráter parasitário, já que subsume as demandas que justificam sua existência (produção intelectual e científica, qualidade de formação de alunos em todas as carreiras - em especial naquelas de maior incidência sobre a infraestrutura do crescimento econômico - e de aperfeiçoamento dos docentes) numa espécie de triturador financeiro: uma riqueza social e de projeto que entra por um lado e sai empobrecida e descaracterizada no final da linha, embora simbolicamente todas as nossas ingenuidades pensem o contrário (*). É o conjunto de bondades com as quais o Estado brasileiro tem protegido o setor - sem que se pense no efeito geracional dessa política - que tem que ser apresentado como a fatura dos professores e da própria sociedade nas negociações salariais e em qualquer outro tipo de negociação.

Por isso, qualquer cesta de reivindicações que não leve em conta esse cenário pode estar condenada ao exercício repetitivo da retórica de campanha, alguma coisa que os dois lados já imaginam como termina: projeções de aperfeiçoamento de cláusulas, introdução de alguma pequena novidade relativa às inovações tecnológicas e um percentual bem-comportado de reajuste salarial. E tudo continua da mesma forma... já que as lideranças empresariais do setor sempre estão de mãos livres e autorizadas a utilizar os argumentos de sua lógica formal... Um muro discursivo que precisa ser desconstruído e derrubado...

(*) A imprensa está repleta de informações dando conta de que o ensino superior privado não cumpre com os compromissos que tem com a sociedade brasileira. Com uma expansão voltada quase que exclusivamente para carreiras que exigem baixo investimento em estruturas laboratoriais - pois são justamente esses cursos que mais "dão dinheiro", esse descomprometimento põe em risco setores estratégicos importantíssimos para a nação. Pois nem bem este post ficou pronto e já no dia seguinte (14 de março), o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria (aqui, em cópia pdf) denunciando o déficit de profissionais na área das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), fato que joga o país em perigosa zona de sombra num dos setores da economia contemporânea que mais agrega valor de desenvolvimento. 
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