domingo, 7 de julho de 2013

"As balas aqui não são de borracha..."
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A diferença não é a da natureza da reivindicação, mas a do estranhamento que o povo sente em viver no lugar que é seu: somos estrangeiros num país ocupado pela insensibilidade do Estado e das elites econômicas.
Mas se esses fatos não são suficientes, basta ler os jornais: num deles, um PhD de "renome internacional", como se costuma dizer, afirma que professores titulados são dispensáveis, embora ele talvez não se refira aos seus próprios títulos pomposamente indicados no rodapé dos textos que escreve; em outro veículo, ninguém consegue saber contra quem é a greve geral que as Centrais Sindicais, para não perder o bonde da História, prometem para julho; em mais um ainda, a direção do PT descobriu só agora que a desastrada política de desoneração de diversos setores da economia está aumentando a concentração da riqueza e engordando a acumulação conspícua de capital nas mãos dos empresários.Há mais que isso: o presidente do STF, o popular Joaquim Barbosa, imagina que podemos ter candidatos às eleições desvinculados de qualquer partido político, sem imaginar que o infeliz que se dispusesse a isso se transformaria em refém das máquinas e oligarquias... dos mesmos partidos que rejeitou.

De seu lado, o indefectível Estadão faz coro com o jovem do MPL na constatação de que a presidente Dilma vem dando sucessivas demonstrações de despreparo para lidar com os sintomas de que o país saiu dos trilhos. Quem parece não estar nem um pouco despreparado é o presidente do Senado, Renan Calheiros: tirou do bolso do colete uma disposição insuspeita de assumir a liderança parlamentar das "reformas" políticas e até da mudança na cobrança das passagens de ônibus. Não ficaria surpreso se ele emergisse dessa crise como conselheiro pronto a se sacrificar pelo país...

Por último: em Belo Horizonte, 5.500 policiais vão tratar de manter os manifestantes bem longe do estádio onde vai acontecer a partida Brasil x Uruguai. Verdade que o esporte é congraçamento, fraternidade e flair play? Para Felipão a conversa é outra: "não tenham receio de levar cartão amarelo", disse ele aos jogadores dia desses, sem esconder uma disposição raivosa e sinistra que deixa longe todo o mito sobre a nossa cordialidade: "temos um ótimo banco de reservas", acrescentou. Do jeito que a seleção jogou violentamente contra a Itália, as práticas do Bope que assustaram os moradores do Complexo da Maré, e outras práticas demonstradas pelas polícias de todos os estados na semana passada, fazem parte do nosso show. 

Além do clipping que reúne matérias importantes sobre a crise no Brasil (aqui) recomendo a leitura das matérias abaixo:

Primavera brasileira ou golpe de direita (Outras Palavras)


¿Para qué quieren ahora los sindicatos una huelga general en un Brasil ya tenso?
(El País)

Un gigante se despierta (El País)


¿Se han convertido las redes sociales en Brasil en una "tercera vía" social y política? (El País)

A energia social não voltará atrás. Entrevista com André Singer (Época)

O êxtase da conexão nas ruas. Artigo de Muniz Sodré (Observatório da Imprensa).
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