quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tecnologia versus conservadorismo moral no facebook

Facebook: conflito entre forma e conteúdo - emancipação dos sentidos e regulação de sua potencialização -, numa possível analogia com os conceitos de Boaventura de Sousa Santos.

Na época da ditadura, o esmaecimento dos mamilos como forma de preservar a "discrição" de fotos de mulheres nuas era prática generalizada nas chamadas revistas "masculinas" (StatusEle & ElaPlayboy) e se curvava a uma deteterminação policial, mas como explicar que o título do livro Memória de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez, há não muito tempo, tenha sido auto-censurado na revista Veja com o uso de reticências no lugar da palavra putas? Pois é a mesma pretensão conservadora da moral, o mesmo arbítrio censório...

O episódio do facebook, no entanto provoca uma outra polêmica: a incongruência entre forma e conteúdo, isto é, a possibilidade de que recursos verdadeiramente revolucionários no campo da circulação de informações - uma radical democracia horizontal, reticulada (como diz Habermas) em todos os sentidos -, mas sufocada por padrões culturais no campo da ética humanista que anulam seu potencial emancipador. A própria foto do movimento Femen e a manipulação (e redução) de seu sentido irreverente e contestador aponta para essa contradição no instante mesmo em que é exibida tal como ficou finalizada...

* Sobre as práticas de remoção de conteúdos no facebook, sugiro a leitura da matéria publicada no Estadão: Censura no facebook não é teoria da conspiração.
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