domingo, 6 de abril de 2014

Imensa humilhação para o país inteiro

A Casa da Morte, em Petrópolis: centro de extermínio e de esquartejamento de opositores do regime militar. Revelações à Comissão da Verdade do Rio transcendem os episódios de dor e de fúria que marcaram os anos de chumbo
Pensei que as declarações do coronel reformado Paulo Malhães à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro fossem ter mais repercussões do que de fato foi possível constatar. Digo isso porque os crimes de assassinato de opositores do regime militar revelados por "um dos mais atuantes agentes do Centro de Informações do Exército (CIE)" na época da ditadura, são de uma monstruosidade única e não é exagero afirmar que estão entre aqueles que ficam lado a lado com os maiores de que a Humanidade tem conhecimento (leia aqui a matéria de O Globo). 

É possível que o que Malhães contou ainda tenha desdobramentos mais graves e talvez seja cedo para medir o impacto de suas revelações, mas a impressão que sobressai é a de que estamos diante de algo mais profundo do que a descoberta de episódios conjunturais mostram: uma estrutura fascista que permeia todo o organismo militar brasileiro e que responde pelo caráter hesitante que a democratização ganhou desde 1979.

Talvez demore um pouco para que nossa sociedade se assegure de que no Brasil nunca mais ninguém sofra por suas ideias e nem se veja obrigado a renunciar a elas por medo da força e da tortura.

* Leia também Redes de Ódio no Facebook (entrevista com Fabio Malini sobre o aumento do número de páginas de grupos de extrema direita e neofascistas nas redes sociais)
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