quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Brizola tinha razão...

O melhor presidente que o Brasil não teve
O que Brizola não podia imaginar é que esse processo de sangria dos recursos gerados aqui ganharia uma dimensão que acaba por reproduzir, internamente, a mesma dinâmica das perdas internacionais, como se houvesse um duplo processo de colonização sobre o país: o externo (que se mantém estruturalmente intocado desde a Revolução Industrial, talvez até mesmo antes) e o interno (que transforma instituições criadas para dar sustentação ao desenvolvimento econômico em instrumento de alavancagem dos interesses privados dos grupos econômicos nacionais.

A coisa toda é aparentemente complicada, mas olhando de perto é extraordinariamente simples e é atestada pela notícia publicada hoje no jornal O Estado de Minas: para manter o fluxo de recursos baratos e subsidiados destinados às empresas, o Tesouro Nacional (que é mantido pela sociedade) transferiu ao BNDEs (o órgão que tem custeado o capital privado) R$ 79,7 bilhões em 4 anos. A tradução disso é simples: a riqueza socialmente gerada na atividade econômica que se expressa nas reservas do Tesouro é fortemente repassada para as empresas que, com isso, têm ampliadas suas margens de lucro sem risco para os investimentos que fazem, pois que o investimento é sustentado pelo Estado. Um negócio da China como nunca se viu...

Estivesse vivo e imagino que Brizola diria a respeito disso que essas perdas internas somam-se à evasão de divisas, aos ganhos astronômicos dos bancos, à desoneração que maximiza os lucros dos setores beneficiados com ela... E certamente colocaria nessa equação a responsabilidade pelo desempenho ridículo do nosso PIB, pelo esgotamento da capacidade de endividamento da população, pela baixa oferta de emprego. No Brasil, esse capitalismo alimentado pelo Estado, sem a contrapartida econômica e social que deveria ter, é um capitalismo anêmico e oportunista, em que pesem os muxoxos do empresariado contra o governo.

Penso que as eleições deste próximo mês de outubro vão continuar indefinidas mesmo depois de eleito um dos candidatos. Duvido que algum deles tenha a clareza que Brizola tinha sobre as razões profundas dos nossos problemas. É uma eleição de marqueteiros e de jogo de cena midiatizado e duvido muito que até a definição do 2o. turno, se houver, alguma coisa jogue luz nesse simulacro que estamos presenciado.
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