domingo, 14 de setembro de 2014

Negócio da China

A China acabou herdando a fama de país onde os negócios da burguesia europeia eram espertos e fartamente remunerados, embora a prática colonial se estendesse por todos os demais continentes. Portugal, por exemplo, conseguia na Índia lucros superiores a 6000% na venda de seus produtos. Uma cifra ínfima quando comparada com os ganhos que as empresas brasileiras conseguem com o dinheiro público
O episódio poder ser mesmo comparado a um verdadeiro e legítimo "negócio da China": o Move São Paulo que venceu a licitação por absoluta inexistência de outros interessados - o que cheira a uma partilha dos planos de expansão do metrô entre consórcios de empreiteiras -, uma vez isento do pagamento das desapropriações (que deve ser calculado  entre os custos da obra), passaria a executar a obra em condições vantajosas para si mesmo ao transferir o ônus da obra para o Estado, além das penosas consequências para os desapropriados, que engrossariam a fila dos precatórios.

notícia sobre a decisão judicial - contra a qual as empresas devem interpor recursos através de um batalhão de advogados - foi publicada no G1 e é um prato cheio para quem gosta de acompanhar a bandalheira promovida pelos interesses privados na gestão dos interesses públicos.

* A propósito, vale a pena ler a entrevista do economista Artur Cardoso dada ao site IHU sobre "a burguesia de negócios" que se instalou no Brasil e que se constitui no maior obstáculo ao desenvolvimento do próprio capitalismo no país.
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