sábado, 11 de outubro de 2014

Promessas predatórias de Aécio, parte II: Samuel Pessôa

Samuel Pessôa: "o ensino universitário deve ser pago... a instituição de cobrança de mensalidade teria um efeito importante sobre a eficiência das Universidades" (Folha, Universidade paga).
A ser verdadeira a hipótese do economista, teríamos nas Unibans e nas Anhangueras instituições que rivalizariam com Yale, Princenton e Harvard...
 
Nem é preciso elencar muitos argumentos para derrubar a tese de que o Estado é uma barreira ao crescimento econômico. A rigor, justamente por que somos um país de fraca capitalização e de reduzida poupança interna, foi a transferência de recursos públicos para a economia industrial o fator que mais respondeu pelos surtos de desenvolvimento sustentado que o Brasil teve na sua história contemporânea.

Agora mesmo, nos últimos 10 anos, a maré que nos afastou dos principais sintomas da crise mundial (que parece ter sido esquecida pelos neoliberais) só foi possível por conta dos estímulos fiscais, creditícios e de mercado propiciados pelo Estado através de políticas de proteção ao crescimento econômico e... à atividade produtiva. Na minha opinião, o resultado só não é melhor porque o empresariado brasileiro, além de provinciano em termos de estratégia de desenvolvimento, é conspirador, ou seja, vive transformando sua capacidade de investimento em arma contra um governo de origem popular que nunca aceitou: é lockout o tempo todo. 

O segundo gargalo que o Estado do Bem-Estar Social empurra para a superação é o das disparidades sociais que foram aprofundadas em consequência da concentração da renda decorrente da hegemonia dos interesses privados sobre a sociedade. Pois foi justamente aí, nessa prática que imagina que a acumulação do capital se faz com a asfixia dos salários - na contramão do desenvolvimentismo - que se construíram as piores trincas da sociedade brasileira. O quadro hoje - apesar dos esforços de assistência social dos governos Lula e Dilma - mostra que 5% da população brasileira ficam com 40% da renda nacional; os 95% restantes dividem os 60% restantes. Pois o Prof. Samuel Pessôa, quando investe contra o projeto nacional-desenvolvimentista quer agravar ainda mais essa disparidade. 

Penso que o Brasil está diante de uma bifurcação muito séria na sua história: revolucionar as estruturas da produção e da distribuição da riqueza gerada pela sociedade - buscando um modelo autônomo e soberano de desenvolvimento econômico - ou reproduzir o modelo periférico que nos transforma em quintal dos interesses financeiros globais - alguma coisa que Armínio Fraga, durante o tempo que estagiou com Georges Soros - conhece bem. Pelas propostas que faz, Samuel Pessôa é um dos melhores discípulos dessa turma (não deixe de consultar o texto Os lobos de Wall Street querem o Planalto).

Sugiro ainda a leitura da entrevista Bresser-Pereira explica por que votará em Dilma (via 247) e da matéria postada no blog da Bomtempo O fim da CLT? É o que querem os conservadores.
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