sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cenários

O esplendor da relva (Wordsworth) oculta tensões mais graves do que o bate-bola inconsequente com que a mídia traduz o rumo da economia nacional
Os Estados Unidos e o Reino Unido acabam de impor aos gigantes financeiros globais, entre eles vários bancos que atuam subsidiariamente na economia brasileira, a fabulosa multa de 3,4 bilhões de dólares pela prática de manipulação das taxas de câmbio com o objetivo de elevar artificialmente seus lucros. A notícia - praticamente ignorada na nossa imprensa - fala sobre a maneira como os organismos reguladores do capital financeiro usam as prerrogativas da autonomia para disciplinar a desordem que desde 2008 está na raíz da crise econômica mundial. 

Por último, a informação de que as montadoras que atuam no Brasil - apesar de todos os privilégios fiscais e creditícios de que gozam, além da orgia da remessa de lucros que fazem periodicamente para suas matrizes - vêm demitindo uma média de mil trabalhadores todos os meses, sem contar aqueles que tiveram a suspensão temporária do contrato de trabalho (lay off) e cuja remuneração, até que voltem às suas funções, é paga pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Como se vê, o cenário nacional é mais complexo do que os discursos na linha do consenso que pressionam os rumos futuros da economia brasileira. Recentemente, em entrevista que deu à BBC Brasil, o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reconheceu que entre as dificuldades que Dilma enfrentou para se reeleger foi o seu afastamento "dos principais atores na economia e na política". É uma explicação simplória: Dilma pode ter se afastado dos protagonistas que dão sustentação ao projeto original de seu governo, o que recomenda que diversifique as fontes dos discursos que ouve, ou continuará se isolando ainda mais.

Sugiro a leitura: O teto abriga uma embromação, de Rolf Kuntz (Observatório da Imprensa) e FMI recomenda ao Brasil contas austeras e reformas econômicas (El País)
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