domingo, 9 de novembro de 2014

Empresários querem anular o resultado das eleições...

Pois é exatamente com esse raciocínio aparentemente lógico, mas desprovido de qualquer consistência analítica, que nossas elites se mantém no poder há séculos, sempre impondo a conciliação sobre a ruptura; a ordem sobre o desordenamento. Daí minha lembrança de Lacerda referindo-se a Getúlio em 1950 quando este pensava em lançar-se candidato à presidência: "se eleito, não deve tomar posse; se empossado, deve ser impedido de governar". Puro golpe em nome de uma esperta união nacional que o getulismo inviabilizava.

Pode estar acontecendo o mesmo agora. Minha interpretação do resultado da eleição de Dilma é complicada: acho que esse impulso mudancista que conseguiu aglutinar uma parte significativa da opinião pública não significa um aval do eleitorado ao conservadorismo ou a uma eventual plataforma de inspiração direitista. A impressão é a de que a ideia de que isso tenha ocorrido será estimulada no discurso da mídia como parte de um processo de desgaste político do novo governo já na partida, hoje mesmo, amanhã nos jornais. Se Dilma cair na conversa populista de uma presidente de todos os brasileiros, estará comprometendo seu governo irremediavelmente. Seu governo deve ser, na minha opinião, um governo de ruptura - paradoxalmente uma ruptura que supere o fracionamento numérico dos votos.

* Sugiro a leitura do artigo O discurso da conciliação, de Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa.


* José Roberto de Toledo, articulista do Estadão, reconhece no texto Pela volta do fusível que o 3o. turno começou pelas demandas do mercado financeiro.

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