sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Austeridade bate no bolso dos empresários do ensino

A racionalidade do sistema educacional brasileiro não tem nada a ver com aquilo que se espera de seus atores principais. Agora mesmo, a miopia do governo federal e a ganância dos empresários do ensino podem frustrar milhares. Não chegou a hora de mudar o rumo do setor?
Para que se tenha uma ideia, diz o jornal O Estado de S. Paulo que no primeiro mandato de Dilma o desembolso de recursos com o Fies passou de R$ 1 bilhão para quase R$ 14 bilhões, enquanto o número de contratos de financiamento pulou de 76 mil para 732 mil. Já o Prouni atingiu, também no primeiro período da presidente, 1,2 milhão de bolsas.

O processo não se circunscreve apenas ao subsídio financeiro que isso representa para as empresas beneficiadas, mas também uma espécie de legitimação social da desqualificação do ensino já que não houve, até agora, o pré-requisito da qualidade como critério para que tais recursos sejam concedidos,  e eles não são pequenos. Segundo o jornal Valor Econômico, o grupo Kroton, por exemplo, um megaempreendimento que se veste de educacional para expandir seus investimentos pelo mundo, recebeu do Pronatec (outro dreno de recursos públicos) 70 milhões de reais só no período janeiro a setembro do ano passado.

Como era de se esperar, a equivocada política de austeridade que o governo vem pondo em prática neste início de mandato acabou atingindo as empresas que se beneficiam desses subsídios, não propriamente frustrando seus planos de expansão - porque o capital tem mil maneiras de se proteger, mas os estudantes que veem nesses programas a porta de entrada para a sua sonhada qualificação acadêmica e profissional, em que pese o fato de que as empresas envolvidas nisso raramente dão conta de cumprir o que deveria ser da essência de suas atividades. 

O impasse que surge dessa contradição - a retração de um programa de cunho social em benefício do equilíbrio fiscal, de um lado; e, de outro lado a sustentação de um complexo empresarial que fará o estardalhaço que lhe permite o setor de atividades em que atua - talvez seja um bom motivo para mudar os rumos da polícia educacional para o ensino técnico e para o ensino superior, direcionando-os efetivamente para o ensino e não para o lucro.
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