sábado, 14 de fevereiro de 2015

Leituras do Carnaval: cadê o ministro Cid Gomes?

Acho o ministro da Educação um paraquedista. Sua presença naquela que deveria ser a pasta mais estratégica do segundo governo Dilma - a julgar pelo slogan que a presidente procurou associar à sua campanha (Brasil, pátria educadora) - se deve mais a arranjos políticos do que à sua intimidade com a área. Aliás, olhando de perto, durante o tempo em que foi governador do Ceará, Cid Gomes deixou um rastro de crise em todo o sistema educacional (leia uma outra postagem sobre o assunto) e culminou essa sua marca com o conselho que deu aos professores e que nunca mais vai deixá-lo em paz: se não concordam com o sacerdócio do que fazem, os mestres devem procurar outra profissão.

Pois bem: o ministro gostou do embalo e revelou-se um falador de primeira, certamente imaginando que o lema de Dilma o deixaria em destaque o tempo todo. Entre as afirmações exageradas que fez, mostrou uma aparente disposição de enfrentar a facção dos empresários do ensino e saiu de nariz empinado dando a entender que colocaria a casa em ordem: nada de reajuste exagerado no Fies, nada de vagas ilimitadas no Pronatec, nada de financiamento para a baixa qualidade das escolas particulares, nem mesmo através do Prouni.

Não demorou 15 dias e Cid Gomes teve de engolir o que disse: o governo voltou atrás. No caso dos Fies, o recuo do MEC dá bem uma mostra do lugar que as empresas de educação têm hoje no cenário brasileiro e daquilo que elas realmente são: captadoras parasitárias de recursos públicos. Bastou o anúncio do aumento para que suas ações estourassem na Bolsa de Valores (a matéria principal e demais links desta postagem estão aqui).

Penso que as ações do governo que fazem o ministro emudecer um pouco (nada indica que ele ficará discretamente gerindo o ministério que lhe coube) compõem um complexo de iniciativas que o poder executivo toma na direção do grande capital o tempo todo - lamentavelmente desde 2002 -, todas elas marcadas pelos princípios da governabilidade e do apaziguamento dos contrários, ambos fatais para o compromisso que um governo de extração democrática tem com a origem dos votos que recebeu. É assim com as empreiteiras, é assim com os bancos e é assim... com o ensino privado. Cid Gomes, com todo o seu contorcionismo performático, infelizmente, não vai conseguir inverter essa escrita.

* Para uma pequena ideia sobre o troca-troca das empresas de Educação (que se preocupam com tudo, exceto com o ensino e a pesquisa), leia as matérias do Valor Econômico Thunnus adquire controle da Abril Educação e Abril Educação fecha em alta de 17,87% após aquisição pela Thunnus.
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