terça-feira, 24 de março de 2015

Apropuc erra na análise das mudanças do Fies

Os interesses privados que tomaram conta do ensino superior brasileiro são os responsáveis pelo engodo vivido pelos estudantes e pelos professores - suas principais vítimas ao lado da própria sociedade. A disputa pelas verbas do Fies é parte de uma manobra para manter esse sistema inalterado
No entanto, o problema é bem maior que esse: alguns segmentos do governo Dilma parecem ter se dado conta de que os privilégios das empresas que negociam diplomas do ensino superior são na verdade a sustentação financeira de uma fraude contra a educação brasileira e contra os jovens que procuram nos cursos universitários um instrumento sério de qualificação profissional e intelectual. Como não fazem nada disso, parte das "universidades" particulares (que o senso popular já apelidou de "uniesquinas") se movimenta num espaço tipicamente estelionatário e corrompido pelas verbas públicas que as mantém: a sociedade, através do Estado, sustentando um blefe capitalista. A queda de braço pelo repasse das bolsas do Fies (reajustadas abusivamente em índice superior ao da inflação) e pelos recursos do Pronatec, é uma luta da facção dos empresários para manter o esquema intocado.

A Apropuc sabe disso. Se não sabe, deveria saber. E deveria também colocar sua energia política a serviço do esclarecimento dos estudantes e dos professores. Do jeito que aborda o tema, a associação docente da PUC-SP acaba engrossando o caldo de cultura que vem fortalecendo sistematicamente o sistema empresarial de ensino universitário, uma das tragédias mais graves que a sociedade brasileira enfrenta.

Em cima da hora: * Justiça suspende liminar que liberou reajustes de mensalidades do Fies (Uol)

Ps: faço uma ressalva importante nesta postagem - a facção dos empresários envolvida nessa tramoia não representa todo o espectro da universidade privada, já que no meio do joio, há trigo de qualidade nas mãos de instituições com tradição no ensino e dispostas a desenvolver projetos pedagógicos sérios - em especial as instituições de extração confessional e fundacional (com exceção da PUC-SP que não consegue acertar o passo com sua tradição acadêmica). É uma pena que a imagem dessas univerrsidades esteja comprometida pela facção hegemônica do setor e que acabem pagando o pato pela incompetência reguladora do governo. Talvez devessem vir a público esclarecer essa situação delicada em que se encontram e manter distância das uniesquinas.
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