sábado, 12 de dezembro de 2015

A alma e as motivações golpistas do impeachment

Resultados das operações financeiras, assim que o facínora Eduardo Cunha anunciou aceitar abrir o processo de impedimento da presidente Dilma, não deixam qualquer dúvida sobre o interesse dos empresários no golpe.
É claro que essa facção não está sozinha, já que age com respaldo de partidos de forte presença no Congresso (como é o caso do PSDB e do PMDB) e até em altos postos do executivo (alguém me explica o que Afif Domingos fez no governo e Temer na vice-presidência?) - mas é ela a alma de toda a desestabilização política que temos assistido durante o ano de 2015. Alma e inspiradora das motivações, em especial a desorganização do regime de proteção ao trabalho e à renda que mal a sociedade brasileira conseguiu defender até agora. Por esses motivos, estou convencido do artificialismo jurídico da tese do impeachment, mas também estou convencido de sua dimensão política e social: trata-se de um assalto que se pretende definitivo ao Estado do Bem-Estar Social, talvez a conclusão de uma obra ensaiada tantas vezes na nossa História (1945, 1954, 1961, 1964) e que agora parece ter entrado na sua etapa final.

Grande parte dos empresários brasileiros é pré-capitalista e pré-moderna; assemelha-se uma camada parasitária encrustrada nas benesses do Estado, sem projeto de capitalização de seus próprios empreendimentos e especialista em esgrimir contra os direitos trabalhistas. Dificilmente consegue conviver com a democracia plena e com a sociabilidade moderna. O afastamento da presidente Dilma parece ser a garantia de que isso não mude. Se chegarem ao poder sem os empecilhos do respaldo popular, não tenho a menor dúvida de que nossas práticas sociais vão caminhar para a selvageria dos contratos.

Vale a pena ler: * Fiesp: conspiradores deixam o esconderijo (do blog) * Empesariado enxerga com bons olhos o impeachment (Paulo Skaf) * Setor privado cavou crise * Para FHC, mercado prefere que haja impeachent de Dilma * Capitalismo sem democracia x democracia sem capitalismo: como FHC simplificou essa escolha * Bolsa fecha em alta um dia após o pedido de impeachment de Dilma (El País) * Dólar cai e Bolsa tem forte alta com expectativa sobre impeachment (Estadão) * E agora, Dilma * Eduardo Cunha: definição de cínico (El País) * Processo encaminha solução para a crise (Valor) * Tática para barrar impeachment deteriora relação entre Dilma e Temer (Valor). Por último: * Alegações para o impeachment desprezam soberania do voto popular (Mario Magalhães, Uol).
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