quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O que está em jogo na tragédia de Mariana? A soberania nacional e o respeito à sociedade brasileira

Empresas devem pagar com seu patrimônio os danos causados ao país 
e é o governo quem deve agir para que isso seja feito de forma rigorosa
Esse último episódio, contudo, está longe de ser apenas conjuntural ou um incidente, como quer o eufemismo jornalístico. O que aconteceu com o rompimento da barragem em Mariana é um acidente absoluto de efeitos com tamanhas consequências no tempo - além da extensão física dos estragos - que já se admite a irreversibilidade dos danos causados pela lama. Mesmo o governador e os deputados de Minas - do alto da sua conivência com as empresas responsáveis sob o argumento de que a economia do estado precisa delas, o que é uma mentira - sabem disso.

No entanto, acho que a reação da presidente Dilma, ainda que indignada, é muito retórica, e mesmo com a ação civil pública indenizatória aberta pela Advocacia Geral da União no valor de R$ 20 bilhões, o papel do governo na proteção e ressarcimento dos interesses brasileiros é tímido. Refiro-me a uma coisa em desuso nesses tempos de neoliberalismo: a soberania do Estado. É ela que precisa ser respeitada pelos interesses empresariais que violentam esse princípio, antes e depois da tragédia. Em vista disso, acredito que só mesmo a estatização de todos os ativos móveis e imóveis das duas empresas e o indiciamento por crime de lesão ao país de seus responsáveis é que pode estancar não só a atitude cínica com que o episódio começa a ser tratado - pelas próprias empresas e pela facção dos empresários, além de uma certa docilidade com que a mídia vai acobertando o episódio (leia as matérias abaixo), mas também o caráter predatório que elas vão continuar imprimindo às suas atividades se continuarem e atuar no Brasil.

Dilma faria muito bem, a si e à sociedade brasileira, se tratasse a tragédia de Mariana com o radicalismo que o episódio merece e viesse a público anunciar sua determinação de nacionalizar essas empresas colocando-as (no caso da Vale, recolocando-a) nas mãos do Estado. Por todos os motivos, estamos precisando disso.

* Dois destaques: 
* A Lama (Eliane Brum) * Vale/Samarco: o problema é a eficiência (Edemilson Paraná)

* Justiça bloqueia bens da Vale (Estadão) * Irresponsabilidade das empresas e omissão do Estado já anunciavam a tragédia de Mariana (IHU) * Advogado da Vale editou projeto de lei para minas (Estadão) * Relator do Código de Mineração foi reeleito com milhões do setor Tragédia em Mariana: quem recebe dinheiro da Vale Desastre em Mariana foi acidente ou crime? 'É precipitado avaliar', diz ministro Deputado favorece empresas em nova lei da mineração MP pode pedir a prisão do presidente da Samarco Desastre em Mariana: O assassinato das mineradoras Desastre em Mariana: Samarco cita risco de rompimento e diz que não é hora de pedir desculpas Vale é acusada de crimes ambientais em Nova Lima (MG)  Juiz acusa Samarco de esconder dinheiro para evitar bloqueio Senado prepara novas tragédias de Mariana Samarco joga lama removida ao lado de rio  Justiça dá 3 dias para Samarco apresentar impactos em barragens Desastre em Mariana: Vale se esquiva de responsabilidade em Mariana e promete fundo para rio Controlador investiga licença dada à Samarco.
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