domingo, 15 de maio de 2016

Marcha sobre Brasília

Editoriais tentam legitimar o golpe (Mônica Mourão, Carta Capital, via blog do Miro)
Uma ilustração por mil palavras: da postagem de Sérgio Reis publicada em GGN:
Nasce um governo populista de direita
Penso, portanto, que é preciso desarticular a ação do governo através de eventos de ocupação: praças, escolas, teatros, meetings de formação plural em gêneros e etnias que exibam a indignação da sociedade de forma sistemática e convergente para uma Marcha sobre Brasília que culmine com a mudança do quadro político, a reversão das medidas tomadas e a convocação de eleições gerais já. 

Habermas afirma que a desobediência civil é a peça essencial do Estado democrático de direito. Segundo o filósofo alemão, que toma como referência as manifestações ocorridas em seu país contra a instalação de usinas nucleares nos anos 70, as manifestações massivas contra o Estado se sobrepuseram à forma orgânica tradicional dos partidos e resultaram em fortalecimento da democracia. "O movimento de protesto contemporâneo - como Habermas chama a desobediência civil - oferece (...) a oportunidade de [ser compreendido] como o elemento de uma política madura. Toda democracia ligada ao Estado de direito que é segura de si mesma considera a desobediência civil como um componente normal uma vez que é necessário à cultura política" (Jürgen Habermas, A nova obscuridade. São Paulo: Unesp, 2011).

Na atual conjuntura brasileira, em que pesem os evidentes déficits de amadurecimento político que remetem à judicialização dos protestos, tudo indica que é preciso uma ação coletiva multitudinária, de caráter exclusivamente simbólico para constranger a ação opressora do governo Temer e leva-lo eventualmente ao afastamento através do apelo à capacidade de discernimento e do senso de justiça da sociedade. Trata-se, portanto, de resistência "política e moral" que levaria à "perda de legitimação do governo" (Habermas, 132).

Os exemplos históricos de movimentos desse tipo são inúmeros, mas me ocorrem em especial as cobres marchas pelos direitos civis realizadas em Washington e liderada por Martin Luther King e as que foram feitas contra a Guerra do Vietnã. No Brasil, mesmo durante a vigência do regime militar, a sociedade chamou para si movimentos de desobediência civil que tiveram como consequência o enfraquecimento do aparelho repressivo a tal ponto que a ocupação das ruas foi legalizada na prática (a passeata dos 100 mil no Rio, em 1968; as manifestações pelas eleições diretas em 1984). 

Minha convicção é a de que estamos diante de um contexto no qual a reversão do avanço conservador não se fará sem uma forte e expressiva comoção popular contra a construção do Estado fascista nesses moldes sorrateiros que estão sendo postos em prática por Temer e pela tecnocracia empresarial que o apoia. É o que vislumbro na organização de uma Marcha sobre Brasília cujo objetivo seria a substituição de Temer e sua equipe por um governo provisório de emergência e a convocação de eleições gerais já.

Leia algumas das matérias que exibem com clareza o que é o "governo" Temer e o que o Brasil está enfrentando:

* Ex-pobres retornam à pobreza (Márcio Resende, Vozes do Mundo) * El nuevo presidente del Brasil, informante de la CIA (La Jornada) * Brazil's Graft-Prone Congress: A Circus That Even Has a Clown (The New York Times) * Velha elite dá o golpe na diversidade, diz The Guardian (GGN) * Nasce um governo populista de direita (Sérgio Reis, GGN) * O fim da miragem (Luis Prados, El País) * Ascensão e queda do petismo (Talita Bedinelli, El País) * A vitória da resistência a qualquer mudança civilizatória (André Singer, GGN)* A democracia brasileira sofrerá um duro revés com a posse de um inelegível e corrupto neoliberal (Gleen Greenwald, The Intercept) * Brasil pode piorar com o impeachment, diz The New York Times (via Talita Nascimento, Extra, Midia Ninja) * Golpe nos direitos humanos (Maurício Moraes, Carta Capital) * Golpe duplo: a queda do governo e o fim do Minc (Midia Ninja) * Tentamos buscar mulheres, mas não conseguimos (ZH) * Ministério das mulheres é retrocesso na luta por direitos das mulheres (Carta Capital) * A política não veste saia (Tays Viyuela, GGN) * Temer não abre mão de ter mulher à frente da Secretaria da Cultura (Folha) * Temer dá recado de privatização a ministros e imprensa muda o tom (GGN) * Meirelles não se compromete com taxação de heranças (André Barrocal, Carta Capital) * Empresários criticam aumento de imposto sugerido por Meirelles (Valor Econômico) * PEC defendida por Jucá tira R$ 35 bilhões da saúde em 2017 (Fernando Rodrigues, UOL) * Especialistas prevem retrocesso na Educação com cortes de Temer (Ana Carolina Cortez, El País) * Petrobras: o bote sobre a joia da coroa (Roberto Moraes).
______________________________

Nenhum comentário: