quarta-feira, 8 de junho de 2016

O DNA do golpe na solidão de Temer

Temer não consegue esconder a aflição em que vive com a corrosão de
sua base de apoio no Senado: minguam os votos em favor do
impeachment e fica exposta a verdadeira natureza do movimento que
quer afastar Dilma da Presidência
Mas, ao que tudo indica, não será por muito tempo. Os 30 dias de inferno em que o país vive, com suas instituições em colapso, foram suficientes para reverter todas as expectativas, inclusive daqueles que davam como certo o afastamento de Dilma. Pois ninguém aposta mais nisso - e há golpistas da primeira hora que já reviram sua posição. O caso do Senado é exemplar, lá mesmo, onde o pulha do Anastasia fez mais uma vez o papel de fantoche da elite quando inventou um relatório pela continuidade do processo do impeachment que está entre as maiores vergonhas do parlamento brasileiro: já são 15 os senadores que se recusam a garantir que votarão da mesma forma quando ocorrer o julgamento de Dilma. A conjuntura é tão difícil - de desmoralizante para a interinidade - que há canalhas dispostos a negociar seu apoio, como apontou a colunista da Folha, Mônica Bergamo: Temer, em estado de profunda depressão e esmurrando a mesa por qualquer motivo, já disse que não aguenta mais a pressão de senadores que querem trocar seu voto em favor do impeachment por vantagens pessoais, tal como o próprio Temer fez a vida toda (leia aqui).

De seu lado, os empresários - a base social majoritária do golpe - temem pelo fracasso da aventura inconstitucional  em que se meteram e já dão como certo o retorno de Dilma à Presidência. O que restou do esfarelado grupo conspirador original pretende agora organizar um "ato" em defesa de seu testa de ferro, certamente em alguma vinheria exclusiva dos jardins, repetindo a velha política dos salões aristocráticos do século XIX. Duvido que funcione: qual é o empresário sério que posta numa tranqueira dessas?O fato concreto, independente das piruetas que os golpistas ensaiem, é que a possibilidade de que Dilma volte ao governo vai se tornando cada dia mais concreta e viável. A mídia, por exemplo, que chegou no fundo do poço em matéria de credibilidade, já detectou essa mudança: Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, afirma que os jornais foram os primeiros a registrar um novo humor na opinião pública tantas foram as trapalhadas de Temer (que virou, no Rio, ilustração de lixeiras...) durante o seu "breve mandato" (leia aqui).  

Já Luis Nassif, antenadísismo sobre o que ocorre nos bastidores entre pessoal sério que discute saídas para o país, resume num pequeno trecho de seu artigo no GGN, o fio delicado em que Temer se encontra: segundo ele, basta que Dilma empunhe a bandeira das eleições gerais imediatas para que o bunker do interno se desfaça (Xadrez de Michel, o breve).

O Datafolha deve concluir em breve pesquisa de opinião que pode confirmar a virada no jogo (leia aqui), mas o elemento decisivo ainda não atuou entre as variáveis que se entrecruzam na conjuntura política: a ampliação da resistência popular ao golpe; uma imensa e vasta marcha sobre Brasília no dia do julgamento de Dilma no Senado será determinante na queda de Temer e de toda a sua quadrilha.

Alguém acredita que um cara que conquista esse nível de (des)respeito público tem condições
de exercer algum tipo de função?


Janot pede a prisão de Renan, Cunha, Sarney e Jucá, do PMDB (Folha) * Pedido de prisão da PGR arranha a oligarquia política brasileira (El País) * Pedido de Janot provoca um crash institucional (Valor) * Jucá embolsou 5% de propina em Angra Três (Estadão) * Sem cargos, aliados ameaçam se rebelar (Estadão)

Ps: Este comentário já estava postado quando o jornalista Fernando Rodrigues divulgou no seu blog os resultados da pesquisa de opinião sobre os índices de rejeição a Dilma e a Temer. O texto disposto no site do UOL é maldoso: destaca o percentual de rejeição da Presidente da República em 63% contra 28% do golpista, como se fosse possível a Dilma de obter resultado diferente depois de meses seguidos da maior campanha midiática de depreciação de uma autoridade pública. O que deveria ser destacado é o resultado da aprovação: em que pese justamente essa campanha, os percentuais obtidos por Dilma são maiores que o de Temer (11,4% contra 11,3% respectivamente). O texto integral da postagem de Fernando Rodrigues encontra-se aqui.
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