quinta-feira, 10 de maio de 2018

USP X Kroton


Um país sem instrumental científico ou educacional para enfrentar os desafios de seu desenvolvimento está condenado a viver de joelhos e sem projeto que o liberte do atraso e da pobreza.

Já a Kroton, um conglomerado que poderia ser comparado a um supermercado de ensino, sequer tem qualquer preocupação com índices de mensuração acadêmica. O que seus dirigentes querem mesmo é faturar alto, política protegida pelas sucessivas práticas neoliberais na educação (inclusive em gestões petistas), em especial depois do golpe de 2016. Segundo a revista Carta Capital (Kroton Educacional: expansões da sujeição de todos ao trabalho), a holding só perde para a chinesa New Oriental quando o assunto é ensino privado global: "667 polos de Educação a Distância, 124 campi de ensino superior e mais de um milhão de matrículas no ensino superior e pós-graduação, 41 mil alunos no Pronatec, 290 mil alunos de educação básica e mais de 600 escolas parceiras em 18 estados e 83 cidades brasileiras, além de sua atuação internacional". Todo esse gigantismo, no entanto, não gera um único projeto de ensino ou de pesquisa que tenha qualquer relevância.

Só em perspectiva de longo prazo é que a sociedade brasileira vai sentir o custo dessa vilania praticada contra a universidade brasileira, mas é possível arriscar: um país sem instrumental científico ou educacional para enfrentar os desafios de seu desenvolvimento está condenado a viver de joelhos e sem projeto que o liberte do atraso e da pobreza.

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